FELIZ 2012 !

Lembrando que a 1ª reunião de 2012 será no dia 25/01 na residência Mantovani.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

CRÔNICA DE JOÃO PAULO DO PRADO RODRIGUES

PAI EU FUI À FONTE LUMINOSA

Era 22 de outubro de 2009 inauguração do novo Estádio da Fonte Luminosa.
Parecia um sonho, lá estávamos eu e meu filho na fila para conseguir entrar e apreciar o espetáculo. Alguma confusão inicial, quase a PM barrou a nossa câmera fotográfica. Comentários da fila: infelizmente uma coisa que o brasileiro não sabe seguir. Meu filho ainda na sua imaturidade dizia: “pai estão furando a fila vamos também”. Calma filho “não apresse o rio ele corre sozinho”.
Enfim o cenário, lindo, iluminado, deslumbrante. Uma vitória para quem teve quase todas as lâmpadas dos holofotes penhoradas. Cadeiras individuais, gramado impecável, rampa para deficientes. Lugar dos deuses para acomodar mais de 20000 personas.
Parecia um sonho e como sou psicanalista, cheio de deslocamentos e disfarces.
O nome do Estádio não era mais o nome de antes. O Estádio Ademar de Barros da Fonte Luminosa agora era Arena da Fonte Luminosa. O sonho continuava e vi o M.D.B na A.R.E.N.A. Dali a pouco entrava o PMDB de mãos dadas com o PT. Do ponto de vista da integração, parece bom. Psicanalista passa a vida procurando integrar partes na mente das pessoas, integrar Eros e Thanatus. Na verdade não se integram, mas convivem. De longe eu quero comparar os partidos com os conflitos de vida e de morte, mas muitas vezes eles fazem coisas assim com a saúde e a educação.
O sonho continuava. A tecnologia do celular me possibilitou ligar para o meu Pai, que disse que por nostalgia ouviria pelo rádio em casa. Meu Velho Pai aos seus 82 anos, lúcido se disse emocionado. Perguntou se João Pedro seu neto já estava acomodado.” Bom jogo filho...”
Por um instante olhei para traz e vi a velha piscina onde você me ensinou a boiar e nadar pai. Cheguei a ver a arvore onde parávamos a lambreta X-175 ano 1967, vermelha e branca, quando vínhamos ao campo e eu era um menino. E você trazia de casa um saco de pipocas do Gonçalves-Sé , os cachorros-quentes e a Mimosa gelada na garrafa térmica. Um homem se faz de memórias e estas foram algumas das boas que você me deixou. Olhei para o lado e vi o outro pequeno João, este agora meu filho com um saco de pipocas que comprei e uma Coca-cola, que apesar de eu não recomendar, ele adora. As coisas mudaram, mas nem tanto.
Olhei para frente e bem ao lado da antiga Boca do Lixo do Dito Funileiro e do Roberto Geladeira estava agora a Tribuna das autoridades. Lembrei do Bazani, estava com a camisa em sua homenagem. Lembrei do Pio, do Tonhão, Mauro Pastor, Careca que tão pouco ficou por aqui. Lembrei do Abelha, da Taça de Ouro , do Marcão e me desculpe os que eu por hora esqueci.
O sonho continuava, a ferrinha jogou de amarelo, seria a seleção canarinho? A velha AFE grená no sonho também mudava de cor e de nome.
Marx estava certo, dinheiro, poder. A luta de classes também estava em cena, lugares marcados para os poderosos, sem acesso do povo. Patrocínios de produtos que tem o poder de fetiche. Restaurante fechado para poucos.
O sonho continuava e vi o Placar ser inaugurado com um gooooooll da ferrinha. Vi Araraquara aplaudindo, olhos apaixonados, marejados. É Pai tem coisas que a gente não esquece.
Lá vai o carrinho da cooperativa médica entrando em cena. O pique do Dr. Leonardo para atender um adversário roubou a cena e denunciou a sua paixão por medicina e futebol, aliás, outro grande pai que ajudou muitos filhos a vir ao mundo.
Fila de novo para comprar guaraná no intervalo. E vi meu amigo Beto, o Pai Roberto Geladeira e a terceira geração o João Vitor. Futebol unindo famílias. Só às vezes doía o ouvido o quanto os homens precisam xingar as mães; nunca vi lugar para os homens xingar tanto os seus amores. Achei falta do Biba, do Júnior, do Telinho e do Lê, me perdi deles no palco dos sonhos. O Nenê paletó também não quis vir mesmo depois do esforço de amigos para conseguir os ingressos.
Tivemos de ouvir o som do silêncio do empate do Ituano. Mas a Festa era nossa e vencemos por 2X1. Na Roma antiga a Arena servia para distribuir pão duro, vinagre e sangue de plebeu aos olhos de outros plebeus e alguns “ nobres” . Me deprimi um pouco, mas acho que temos melhorado.
No caminho de volta João Pedro disse que valeu a pena pai. “Tudo vale a pena se a alma não é pequena”, segundo Fernando Pessoa.
No dia seguinte meu Pai disse que se emocionou, me disse para levar o João Pedro ao campo mais vezes, e não deixou de fazer suas lúcidas críticas. Meu velho Pai se lembrou que não fizeram homenagem ao engenheiro e ex-prefeito Tavares Pereira Lima, fundador da AFE e do América de Rio Preto. Meu Pai disse que pouca gente sabe. As coroas de louro vão mudando de cabeça.
Meu velho Pai como um ferroviário aposentado, apaixonado pelo que fez no serviço jurídico onde ajudou a trocar a bitola estreita do trem da FEPASA pela bitola larga, na época do governo Jânio da Silva Quadros, também reclamou porque tanta troca de nomes.
Para a psicanálise o Pai tem uma importância na formação da mente do filho. Quem dá o nome é o Pai. Vai mais esta em sua homenagem Pai, o meu nome que você deu junto com minha mãe, eu nunca vou trocar. Mas a vaidade é um dos pecados prediletos da humanidade.
Vou ficando por aqui porque senão a matéria vai ficar muito “cara”, e quem souber que conte outra.

João Paulo do Prado Rodrigues, psicólogo clínico, psicanalista, filho de Benedicto Antônio Rodrigues, pai do João Pedro Costa do Prado Rodrigues.
Araraquara, 24/10/2009.

Um comentário:

  1. Tudo se manifesta pela palavra......., Bela mensagem. Deus tudo fez existir com as boas palavras.
    João (hebraico) Deus é gracioso.
    Paulo (hebraico) Apostulo Paulo = Saulo de Tarso.
    Prado (português) Campina
    Rodrigues (teutônio) variação de Roderico = Principe poderoso.
    Benedicto (latim) Abençoado, louvado
    Antônio(latim)= Inestimável, valoroso.
    Costa (latim) = Viviam na costa do local.

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